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sábado, 19 de agosto de 2023

Carioca e Potiguar: além do lugar, significados...

Você já percebeu que quando estudamos as origens das palavras nos deparamos com frequência com algumas que foram batizadas/criadas pelos povos originários. E hoje trago aqui dois bons exemplos que identificam o local onde se mora.

A primeira delas é a palavra CARIOCA. Como sabemos, CARIOCA é a pessoa que nasce(u) ou habita na Capital do Rio de Janeiro. Só que, foneticamente, Rio de Janeiro e Carioca são palavras distintas, não são? Já pensou, Rio Janeirense? Então de onde vem este termo? Explicando de forma breve, CARIOCA foi o nome dado, pelos povos originários, a um riacho cujas águas foram canalizadas e começaram a desaguar na Baía de Guanabara, ou seja, em frente à “cidade maravilhosa”. Em outras palavras, CARIOCA vem do tupi-guarani, em que kari significa homem branco e oca, casa. Etimologicamente, temos: casa do homem branco. Ou seja, o percurso deste rio direcionava para onde? À moradia dos homens brancos.

Uma outra palavra com origem no tupi-guarani é a palavra POTIGUAR (potï'war). POTIGUAR é a pessoa natural ou habitante do Estado do Rio Grande do Norte, trata-se de um rio-grandense-do-norte. Em tupi, significa “Comedor de Camarão”. Novamente, etimologicamente, temos: potï > camarão e war > comedor.

Por aqui, no RN, dizem que os potiguaras (também conhecidos dessa forma) habitavam o litoral do Estado e faziam diversas receitas com camarões, por isso se autodenominavam assim, estendendo esse nome à região. E para falar a verdade, até hoje mantemos essa tradição. Camarão é o carro-chefe de nossa culinária. Se você não é aqui do RN, se vier e se não for alérgico, já sabe o que pedir, não?!

 

Alan M. César

Professor, Escritor e Doutor em Linguística.




Instagram: @alancaesar

Twitter: @AlanCaesar

youtube.com/@drdalingua

TikTok: @alancaesar33

segunda-feira, 19 de junho de 2023

Verbos de Movimento Transitivo

 Livro, de minha autoria, lançado pela Universidade Estadual do Rio Grande do Norte.


Apresentação do livro: 

Neste livro, apresento um exame a respeito da codificação semântico-sintática de eventos que ocorrem com verbos de movimento transitivo, com o objetivo de tratar da relação entre o tipo de evento expresso pela construção de movimento transitivo (CMT) e os esquemas cognitivos por ela acionados, partindo do conceito de que o verbo de movimento transitivo (VMT) é um predicador de dois ou três argumentos que implica o movimento de, pelo menos, uma entidade de um lugar a outro.

A partir da observação dos contextos de uso de construtos com esse tipo de verbo, proponho uma rede construcional hierárquica que acomode os diferentes padrões que podem instanciar a CMT, tendo em vista aspectos da configuração argumental dos VMT e dos esquemas cognitivos subjacentes a esses padrões.

A base teórica que fundamenta esta obra conjuga diversos pressupostos, advindos da Linguística Funcional Centrada no Uso (LFCU), da Linguística Cognitiva (LC) e da Gramática de Construções (GC). Como veremos, as categorias de análise adotadas dizem respeito, principalmente, à transitividade, aos papéis semânticos, à prototipicidade, à semântica de frames, aos esquemas imagéticos e às metáforas conceptuais.

Os dados que alicerçam esta obra foram coletados das seguintes fontes: o Corpus Discurso & Gramática, o Banco de Sentenças da Justiça Federal do Rio Grande do Norte (JFRN), o Banco de Dados do Programa de Estudos Sobre o Uso da Língua da UFRJ (Projeto PEUL) e textos disponíveis on-line em sites de revistas de ampla circulação. Os resultados obtidos – investigados por meio de natureza dedutiva, com caráter metodológico que parte de uma abordagem quali-quantitativa – comprovam a existência de um esquema construcional, o qual sanciona três subesquemas e sete microconstruções que, por sua vez, revelam noções de movimento causado, movimento percorrido e movimento associado, organizado sintaticamente como SUJEITO + VERBO + OBJETO DIRETO + (SP).

Por fim, a produção deste livro tem origem em tese defendida no ano de 2021, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem, do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.


Boa leitura!

Disponível para download em: https://www.uern.br/biblioteca/edicoesuern/default.asp?item=edicoes-uern-ebooks-2022

domingo, 23 de abril de 2023

Por que somos latinos?

Você sabe por que somos chamados de Latinos? De onde vem essa palavra? Como ela evoluiu? Onde ela é empregada? Quer saber (só) um pouquinho sobre isso?



Originalmente, o nome “Latino” era o gentílico das cidades da Região Lácio. Roma, por exemplo, faz parte de uma dessas cidades.


O nome “latino” também foi aplicado à língua: língua latina. Como sabemos, esse termo se refere aos povos da América e da Europa em que se falam línguas derivadas do latim, como também é uma forte língua utilizada pela Igreja Católica, já que importantes documentos emitidos pelos Papas no Vaticano  foram em Latim.
Mas, não vamos esquecer que o latim é considerado uma língua extinta. Isso quer dizer que, hoje, não há mais falantes utilizando o latim como meio de comunicação? Exatamente! Pois, não se vê ninguém falando latim na vida cotidiana. 


Em outras palavras: uma língua é definida como morta quando o seu último orador morre. E veja que interessante: mesmo sem falantes nos dias de hoje, a língua latina permanece como a base cultural da nossa civilização, já que é a língua que originou a nossa.


A origem da palavra Latino na verdade está submersa em lendas ainda dos tempos homéricos, que datam antes de Cristo. Há versões que dizem que Latinus era o rei dos povos primitivos da península italiana, durante a Guerra da Tróia. A partir disso, várias outras versões divergentes existem. 


O que é certo nessa história é que o nome Latinus foi tomado pelo Império Romano, tanto na comunicação como na parte cultural. Mesmo após a sua queda, os países conquistados por Roma passaram a ser chamados de latinos, inclusive utilizando-se o latim como língua.


No entanto, o nome Latino só atravessou o oceano na segunda metade do século XIX, quando intelectuais do imperador Napoleão III cunharam a expressão “América Latina” para justificar a invasão do México e a imposição de Maximiliano como imperador. 
Ou seja, o conceito de "América Latina" é relativamente novo. É originalmente um conceito francês, já que na França era comum a ideia de uma "raça" latina. O que se tinha, na verdade, era uma justificativa ideológica para manter o imperialismo francês no México, com o objetivo de criar certa afinidade cultural com a França.


Com relação a ideia de “América Latina”, seu emprego estava voltado apenas à América espanhola, o que excluía o Brasil anteriormente, pois o Brasil era colonizado por Portugal. Depois com a popularização do termo nos EUA, o Brasil passou a ser incluído. Fato que merecia uma longa explicação aqui… 


Como se pode ver, o termo "América Latina" vai além das questões geopolíticas, pois é utilizado para reforçar também as diferenças culturais, entre brancos europeus e nativos deste lado de cá.


Bem, viu que esse assunto vai longe, né!?
Se você quiser acrescentar alguma informação ou até mesmo retificar algo que falei, deixe aqui o seu comentário. Até a próxima.


Versão em vídeo em: https://youtu.be/iodRjSEpNjU




Instagram: @alancaesar


Fontes:

https://pt.db-city.com/It%C3%A1lia--L%C3%A1cio <acesso em 1/4/2023>

https://twitter.com/cgpoggio/status/1339326347114651652 <acesso em 8/4/2023>

https://www.elcastellano.org/envios/2023-03-27-000000?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=LaPalabraDelDia

<acesso em 3/4/2023>

https://pt.frwiki.wiki/wiki/Latinus_%28Latium%29 <acesso em 3/4/2023>


sexta-feira, 2 de julho de 2021

Linguística, Linguagem e Língua

 Linguística, Linguagem e Língua


Olá. Este é o episódio de abertura da seção “Linguística”. Aqui, vou tratar de conceitos e aspectos básicos relacionados à essa área. 

Para esta discussão inicial, fundamento-me no Manual de Linguística de Mario Martelotta (2011).

Para começar, é preciso saber que a linguística é estudada em cursos superiores, como nos cursos de graduação em letras e em outras áreas, como de fonoaudiologia e de comunicação social. Como disciplina, ela apresenta discussões acerca da natureza da linguagem, fundamentais para a vida acadêmica de muitos estudantes.





A linguística é uma disciplina que estuda cientificamente a linguagem. Seu objeto de estudo envolve diversos fatores, como os aspectos fonéticos, morfológicos, sintático-semânticos e psicossociais da linguagem humana; a origem, o desenvolvimento e como as línguas evoluem; as classificações das línguas em grupos, por tipo de famílias, dadas suas formas sistematizadas.

 Sabendo-se o que é linguística, agora partimos para uma das primeiras dúvidas que surgem nos estudantes:

Linguagem e língua correspondem a mesma coisa?

Definitivamente, não são!

O conceito de “linguagem” pode apresentar mais de um sentido. Comumente, é “empregado para referir-se a qualquer processo de comunicação, como a linguagem dos animais, a linguagem corporal, a linguagem das artes, a linguagem da sinalização, a linguagem escrita, entre outras.” (Martelotta, p. 15-16, 2011). Isso implicaria dizer que as línguas naturais, como o português, também é uma forma de linguagem, por possibilitar a realização da comunicação.

 Contudo, defendemos que linguagem e língua não são a mesma coisa compreendendo-as como:

  

Linguagem

Língua

é vista como uma habilidade, os linguistas definem o termo como a capacidade que apenas os seres humanos possuem de se comunicar por meio de línguas.

o termo “língua” é normalmente definido como um sistema de signos vocais, utilizado como meio de comunicação entre os membros de um grupo social ou de uma comunidade linguística.

Fonte: MARTELOTTA, Mário Eduardo (org.). Manual de Linguística. São Paulo: Editora Contexto, 2ºed. 2011.

  Esses conceitos mostram que o caráter atribuído à Língua é mais específico, pois ela se restringe a comunidades linguísticas que têm seu próprio vocabulário e sistema comunicativo, conhecidos e compartilhados entre os seus membros. Ao passo que a linguagem abarca as diferentes formas de expressar ideias ou pensamentos por meio da fala, do som, dos gestos, dos gráficos etc. Portanto, o caráter abrangente da linguagem está relacionado à amplitude do código, em termos de sistemas que possibilitam a transmissão da mensagem, em qualquer tipo de comunidade.

 Sobre a função do pesquisador da linguagem, não vamos confundir o linguista com um poliglota ou um forte conhecedor do funcionamento de várias línguas. Como pesquisadores da linguagem, nosso interesse é analisar a estrutura das línguas naturais, compreender as ferramentas e o que está em jogo no funcionamento no processo comunicativo. Vale lembrar que, assim como em outras áreas, a Linguística possui diferentes escolas teóricas, a exemplo do Estruturalismo, do Gerativismo, da Linguística cognitiva, do Funcionalismo, entre outras.

Nas próximas discussões, vamos falar sobre essas escolas teóricas e de algumas características relacionadas à capacidade da linguagem humana.